domingo, 20 de janeiro de 2008

Elegia em quatro versos

Ainda que eu tente entender
Minha vida nunca foi quimera
Outra vez não suportaria
Remédio pra esta dor não há.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Meia Noite

À meia noite espero a tua mensagem que não chega
Descubro então friamente que a solidão verdadeira
Dar-se quando perdemos nossa alma
E tentamos inutilmente procura-la no escuro
De uma paixão mórbida e enlouquecedora.

Desolado afogo-me num devaneio noturno
E me vejo em mais um funeral deprimente
Cujo cadáver, outra quimera pálida,
Arrasto pelos braços para enterrá-lo
No solo antigo e perdido dos domínios de Odim

Uma rosa vermelha surge em minhas mãos
E nela vejo algo que me faz chorar
Algo que me lembra os teus lábios entreabertos
Um espinho fura meu polegar e uma gota de sangue
Mistura-se a uma gota de lágrima sobre uma folha seca

À meia noite não consigo parar de escrever
A mensagem que nunca chegará as tuas mãos
Não consigo encontrar minha alma perdida no sonho
Dou a rosa teu nome depois um beijo
Sinto o sal das lagrimas e caio embriagado.


Campina Grande 19/11/2007

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Soneto de Solidão

Solidão, como uma doença solidão.
É só o que sinto no mundo
É tudo o que acho de absurdo
Num canto sem cor do coração

Coração, sempre ele, coração.
Tudo o que pede é a verdade
É uma companhia sem maldade
Que não precise de perdão

Quem se sente sozinho não pode culpar
A ninguém pelo que leva por dentro
Mas quer sempre mostrar que sabe amar

Também não pode esquecer
Que a mostra não deve chorar
Tem que moldar um sorriso e viver.







Campina Grande, 28/11/2007

Três dias

Foram três dias perdidos
Entre março e abril
Palavras que não se encontravam
E alguns beijos soltos
Na vaga lembrança
De uma mente torturada
Foram passos dados sem sentido
Olhos se procurando no escuro
E ao fim de três dias naufragados
Num mar de ansiedade
Nossas mãos se soltaram
No imenso vazio do que restou

Nunca te vi assim

Eu nunca te vi assim
Pisando a areia branca da praia
E o mar lavando os teus pés
Meu pensamento indo e vindo
Na espuma branca das ondas
E você buscando a última brisa
De uma tarde toda sua
Que coisa linda é você!
Eu não me canso de ver
O ar beijando o teu rosto
E o teu cheiro impregnando a maresia
Meu castelo de areia tão belo
Tomando as tuas formas
E você curtindo a vida a beira mar
Pois não há nada melhor
Que o oceano sem fim
Para clarear a tua beleza

Gisele

Guardo na memória a branca imagem da beleza
Infinita inspiração
Se todo poeta a tivesse como seriam as canções?
Eu a tive e a Lua foi ao céu vestida de Gisele
Lentamente o mundo inteiro adormeceu
E eu sozinho, louco por não poder tocá-la.
Gritava todos os nomes, mas apenas um tornou-se poesia.
Impetuosamente a luz da Lua caia sobre a Terra
Sem defesa tudo que ia sendo iluminado
Estradas, flores e rios, surgiam da noite com algo de Gisele.
Leigo o mundo não sabia do que se tratava
Enquanto eu adorava a branca face na Lua eternizada.